Você pode até não acreditar, mas no meio de tantas estrelas existe o toque mágico de uma fada.
Tudo acontece mais ou menos assim...
Bem assim...
Um toque de
fada
O céu estava maravilhoso e brilhante com tantas
estrelas brilhando. Estava tão atraente que um garotinho subiu em uma escada
muito alta, ele queria olhar as estrelas de perto. No momento em que chegou ao
topo da escada percebeu que dava até para ver os planetas, mas tomou um susto
quando viu uma fada brincando nas estrelas.
A fadinha ia com sua varinha mágica acendendo as
estrelinhas, até que acendeu uma estrelinha e ela correu fazendo um risco de
luz no céu. A fadinha de cabelos dourados correu atrás da estrelinha tentando
pegá-la, ela corria pulando de estrela em estrela e escorregando sobre os
planetas, até que deu de cara com o menininho em cima da escada.
A fada num toque mágico com sua varinha transformou
todas as estrelinhas em um céu de chocolate e com uma carinha de invocada olhou
para o menininho para ver o que ele achava. O menininho com cara de surpresa
ficou com água na boca e logo com outro toque mágico ela deixou todas as
estrelas douradas e perguntou para o menininho:
- Você gostou?
- Eu as prefiro brilhando!
- Então vou fazê-las brilhar só para você! Vem brincar
nas estrelas também!
- Eu não posso! Não sei voar.
A fadinha com seus cabelos dourados se aproximou do
menininho, olhou bem nos olhos dele, encostou a varinha mágica em sua cabeça e
o fez voar num lindo foguete de papelão. Ele voava dentro do foguete com a mão
para fora segurando na perna da fadinha.
Ela voava puxando ele com toda velocidade, os cabelos
dourados dela esvoaçavam ao vento, porém toda essa felicidade tirou a
concentração dela, que deu um toque mágico errado com a varinha e eles caíram
na terra e no tempo, caíram há muitos anos atrás, por volta dos anos 40.
Caíram no meio de uma plantação de milho, bem ao lado
de uma estrada de terra. Chovia muito naquela noite com flashes de relâmpagos
que iluminavam toda a plantação de milho e traziam trovões ensurdecedores. O
mais curioso é que eles estavam vestidos de espantalhos, bem junto a uma cerca
na beira de um barranco da estrada.
No meio da escuridão e tanta chuva naquela estrada de
terra cheia de lama surgiu um caminhão com os faróis acesos tentando subir a
ladeira, mas patinou, escorregou e ficou atravessado na estrada, bem pertinho
deles. A Fadinha que agora era um espantalho de cabelos dourados falou para o menininho,
que agora era um espantalho de olhos grandes:
- Você consegue ver o que tem em cima do caminhão?
- Eu acho que é uma jaula com um leão! Vamos chegar
mais perto para ver melhor! Ela o empurra para ir à frente.
Eles desceram pelo barranco e ficaram bem pertinho do
leão. De repente a porta do caminhão abriu e saiu um homem com o rosto maquiado
de palhaço, foi até a jaula do leão e a chacoalhou deixando o animal muito
feroz, depois o palhaço olhou para eles e falou:
- São apenas espantalhos!
O palhaço voltou para dentro do caminhão e tentou
subir a ladeira novamente, mas o caminhão escorregou e ficou mais atolado ainda
na lama. Brincando a fadinha vestida de espantalho empurra o menino que cai
sobre a carroceria do caminhão. O palhaço tenta movimentar o caminhão e a jaula
do leão escorrega indo na direção do menino. A jaula chega pertinho dele, imprensando
ele ao barranco, cara a cara com o leão, olho no olho. O menino vestido de
espantalho olhou para trás e viu a fadinha vestida de espantalho subindo no
topo do barranco.
O leão tira as garras para fora e com a unha rasga a
roupa de espantalho do menino.
O felino fica tão próximo que o menino arrepia de medo
fazendo um esforço incrível para conseguir virar e escapar tentando subir no
barranco.
O palhaço sobe no caminhão novamente
e grita com o leão. Gritos, relâmpagos e trovões fazem o palhaço perder a
cabeça e empurrar a jaula, que cai do caminha e rola ladeira abaixo deixando o
leão muito mais feroz.
A jaula rola na escuridão soltando a
fera, que volta rapidamente. O palhaço foge para dentro do caminhão, enquanto o
menino fica dependurado no barranco. No meio dos relâmpagos, o palhaço abriu a
porta do caminhão e saiu correndo ladeira abaixo sumindo na escuridão tentando
fugir do leão.
A fera olha para o menino, vê um
espantalho e não se interessa, então pula do caminhão e some na escuridão
correndo atrás do palhaço.
- Que alivio! Imediatamente o menino
escuta a fadinha gritar:
- Achei a varinha mágica!
Ela se aproxima de dele. Ele pensa
que ela vai ajudá-lo a subir no barranco, mas não. Ela chega pertinho do rosto
dele. Olho no olho. Encosta o narizinho no narizinho dele. Ele chega a pensar
que vai ser beijado por ela, mas não. Ela cola a boca na boca dele, encosta a
varinha mágica na cabeça dele e fala baixinho:
- Vamos voar! Toca a varinha mágica
na cabeça dele e saem voando rumo às estrelas, ela com a varinha mágica e ele
no foguete de papelão. Voa a toda velocidade segurando na perna dela, até
chegarem à lua minguante. Pousaram na lua. Com uma carinha de apaixonada ela
olhou para ele dentro do foguete de papelão e falou:
- Vou entrar aí também!
- Não cabe!
- Cabe sim! Vou entrar.
Ela entra na nave. O foguete perde o equilíbrio,
balança e cai da lua novamente, cai direto levando-os para uma nova aventura.
O foguete rola e cai de ponta para baixo numa
velocidade incrível, eles caem de ponta cabeça. O foguete gira e eles se
abraçam, gira e eles se beijam, até que cai e fica enroscados aos galhos de uma
grande árvore seca no meio de um grande pântano.
O foguete de papelão fica preso de cabeça para baixo
nos galhos da grande árvore seca cheia de urubus.
A fadinha de cabelos dourados olha pela janela do
foguete e se assusta com a altura do galho. Ela vira para o menino de olhos
grandes e fala:
- Eu tenho medo de altura!
- Como você pode ter medo de altura se você é uma fada
e sabe voar!
A fadinha fez uma cara de emburrada e respondeu:
- Você está falando isso, só porque você não tem medo
de altura!
- Me deixa olhar! Tem um galho ao lado da janela, vou
segurar nele e sair.
- E eu?
- Deixe-me pensar! Faz o seguinte! Sobe nas minhas
costas e vamos tentar descer.
A fadinha sobe nas costas do menino de olhos grandes. Ele
sobe na janela do foguete, agarra no galho da árvore e começa a descer.
Com medo ela permanece o tempo todo agarrada às costas
dele, cada vez apertando mais.
Descendo de galho em galho, eles passaram encostados a
um ninho de urubus. A fadinha solta uma das mãos, enquanto ele continua descendo
e quando ela volta com a mão na frente dele novamente, ele percebe que ela está
com um ovo na mão falando:
- Espera! Sobe novamente para eu colocar o ovo de
volta no ninho.
- Subir!
- É! Subir!
- Pra que você pegou o ovo do ninho?
- Não reclama e sobe!
- Você é pesada sabia!
- Sobe logo!
O menino subiu uns dois galhos e ela colocou o ovo de
volta no ninho.
- Estou cansado! Você está com a varinha mágica aí?
- Não! Fui pegar o ovo e ela caiu da minha mão, deve
estar lá no chão.
Ela agarrou bem apertado nas costas do menino, bem
coladinho e falou:
- Agora desce que eu tenho medo de altura.
Descendo de galho em galho eles chegaram até o chão.
Exausto o menino deitou no chão e olhando para cima via os grandes galhos da
árvore seca com muitos urubus pousados e o foguete de papelão parecia dormir
apoiado no entroncamento dos dois maiores galhos.
O menino dormiu cansado e a fadinha permaneceu todo
tempo sentada ao lado dele.

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