quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Um toque de fada

Você pode até não acreditar, mas no meio de tantas estrelas existe o toque mágico de uma fada.
Tudo acontece mais ou menos assim...

Bem assim...

Um toque de fada

O céu estava maravilhoso e brilhante com tantas estrelas brilhando. Estava tão atraente que um garotinho subiu em uma escada muito alta, ele queria olhar as estrelas de perto. No momento em que chegou ao topo da escada percebeu que dava até para ver os planetas, mas tomou um susto quando viu uma fada brincando nas estrelas.
A fadinha ia com sua varinha mágica acendendo as estrelinhas, até que acendeu uma estrelinha e ela correu fazendo um risco de luz no céu. A fadinha de cabelos dourados correu atrás da estrelinha tentando pegá-la, ela corria pulando de estrela em estrela e escorregando sobre os planetas, até que deu de cara com o menininho em cima da escada.
A fada num toque mágico com sua varinha transformou todas as estrelinhas em um céu de chocolate e com uma carinha de invocada olhou para o menininho para ver o que ele achava. O menininho com cara de surpresa ficou com água na boca e logo com outro toque mágico ela deixou todas as estrelas douradas e perguntou para o menininho:
- Você gostou?
- Eu as prefiro brilhando!
- Então vou fazê-las brilhar só para você! Vem brincar nas estrelas também!
- Eu não posso! Não sei voar.
A fadinha com seus cabelos dourados se aproximou do menininho, olhou bem nos olhos dele, encostou a varinha mágica em sua cabeça e o fez voar num lindo foguete de papelão. Ele voava dentro do foguete com a mão para fora segurando na perna da fadinha.
Ela voava puxando ele com toda velocidade, os cabelos dourados dela esvoaçavam ao vento, porém toda essa felicidade tirou a concentração dela, que deu um toque mágico errado com a varinha e eles caíram na terra e no tempo, caíram há muitos anos atrás, por volta dos anos 40.
Caíram no meio de uma plantação de milho, bem ao lado de uma estrada de terra. Chovia muito naquela noite com flashes de relâmpagos que iluminavam toda a plantação de milho e traziam trovões ensurdecedores. O mais curioso é que eles estavam vestidos de espantalhos, bem junto a uma cerca na beira de um barranco da estrada.
No meio da escuridão e tanta chuva naquela estrada de terra cheia de lama surgiu um caminhão com os faróis acesos tentando subir a ladeira, mas patinou, escorregou e ficou atravessado na estrada, bem pertinho deles. A Fadinha que agora era um espantalho de cabelos dourados falou para o menininho, que agora era um espantalho de olhos grandes:
- Você consegue ver o que tem em cima do caminhão?
- Eu acho que é uma jaula com um leão! Vamos chegar mais perto para ver melhor! Ela o empurra para ir à frente.
Eles desceram pelo barranco e ficaram bem pertinho do leão. De repente a porta do caminhão abriu e saiu um homem com o rosto maquiado de palhaço, foi até a jaula do leão e a chacoalhou deixando o animal muito feroz, depois o palhaço olhou para eles e falou:
- São apenas espantalhos!
O palhaço voltou para dentro do caminhão e tentou subir a ladeira novamente, mas o caminhão escorregou e ficou mais atolado ainda na lama. Brincando a fadinha vestida de espantalho empurra o menino que cai sobre a carroceria do caminhão. O palhaço tenta movimentar o caminhão e a jaula do leão escorrega indo na direção do menino. A jaula chega pertinho dele, imprensando ele ao barranco, cara a cara com o leão, olho no olho. O menino vestido de espantalho olhou para trás e viu a fadinha vestida de espantalho subindo no topo do barranco.
O leão tira as garras para fora e com a unha rasga a roupa de espantalho do menino.
O felino fica tão próximo que o menino arrepia de medo fazendo um esforço incrível para conseguir virar e escapar tentando subir no barranco.
            O palhaço sobe no caminhão novamente e grita com o leão. Gritos, relâmpagos e trovões fazem o palhaço perder a cabeça e empurrar a jaula, que cai do caminha e rola ladeira abaixo deixando o leão muito mais feroz.
            A jaula rola na escuridão soltando a fera, que volta rapidamente. O palhaço foge para dentro do caminhão, enquanto o menino fica dependurado no barranco. No meio dos relâmpagos, o palhaço abriu a porta do caminhão e saiu correndo ladeira abaixo sumindo na escuridão tentando fugir do leão.
            A fera olha para o menino, vê um espantalho e não se interessa, então pula do caminhão e some na escuridão correndo atrás do palhaço.
            - Que alivio! Imediatamente o menino escuta a fadinha gritar:
            - Achei a varinha mágica!
            Ela se aproxima de dele. Ele pensa que ela vai ajudá-lo a subir no barranco, mas não. Ela chega pertinho do rosto dele. Olho no olho. Encosta o narizinho no narizinho dele. Ele chega a pensar que vai ser beijado por ela, mas não. Ela cola a boca na boca dele, encosta a varinha mágica na cabeça dele e fala baixinho:
            - Vamos voar! Toca a varinha mágica na cabeça dele e saem voando rumo às estrelas, ela com a varinha mágica e ele no foguete de papelão. Voa a toda velocidade segurando na perna dela, até chegarem à lua minguante. Pousaram na lua. Com uma carinha de apaixonada ela olhou para ele dentro do foguete de papelão e falou:
            - Vou entrar aí também!
            - Não cabe!
- Cabe sim! Vou entrar.
Ela entra na nave. O foguete perde o equilíbrio, balança e cai da lua novamente, cai direto levando-os para uma nova aventura.
O foguete rola e cai de ponta para baixo numa velocidade incrível, eles caem de ponta cabeça. O foguete gira e eles se abraçam, gira e eles se beijam, até que cai e fica enroscados aos galhos de uma grande árvore seca no meio de um grande pântano.
O foguete de papelão fica preso de cabeça para baixo nos galhos da grande árvore seca cheia de urubus.
A fadinha de cabelos dourados olha pela janela do foguete e se assusta com a altura do galho. Ela vira para o menino de olhos grandes e fala:
- Eu tenho medo de altura!
- Como você pode ter medo de altura se você é uma fada e sabe voar!
A fadinha fez uma cara de emburrada e respondeu:
- Você está falando isso, só porque você não tem medo de altura!
- Me deixa olhar! Tem um galho ao lado da janela, vou segurar nele e sair.
- E eu?
- Deixe-me pensar! Faz o seguinte! Sobe nas minhas costas e vamos tentar descer.
A fadinha sobe nas costas do menino de olhos grandes. Ele sobe na janela do foguete, agarra no galho da árvore e começa a descer.
Com medo ela permanece o tempo todo agarrada às costas dele, cada vez apertando mais.
Descendo de galho em galho, eles passaram encostados a um ninho de urubus. A fadinha solta uma das mãos, enquanto ele continua descendo e quando ela volta com a mão na frente dele novamente, ele percebe que ela está com um ovo na mão falando:
- Espera! Sobe novamente para eu colocar o ovo de volta no ninho.
- Subir!
- É! Subir!
- Pra que você pegou o ovo do ninho?
- Não reclama e sobe!
- Você é pesada sabia!
- Sobe logo!
O menino subiu uns dois galhos e ela colocou o ovo de volta no ninho.
- Estou cansado! Você está com a varinha mágica aí?
- Não! Fui pegar o ovo e ela caiu da minha mão, deve estar lá no chão.
Ela agarrou bem apertado nas costas do menino, bem coladinho e falou:
- Agora desce que eu tenho medo de altura.
Descendo de galho em galho eles chegaram até o chão. Exausto o menino deitou no chão e olhando para cima via os grandes galhos da árvore seca com muitos urubus pousados e o foguete de papelão parecia dormir apoiado no entroncamento dos dois maiores galhos.
O menino dormiu cansado e a fadinha permaneceu todo tempo sentada ao lado dele.

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