segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A tarde estava esfriando rapidamente trazendo uma neblina que cobria as árvores do pântano. O sol  já havia se despedido e se escondido atrás da mata, nem seus raios atrasados dava mais para ver. Eles tinham pouco tempo para juntar madeiras e acender a lareira porque a noite tinha um tom escuro e gelado.
A necessidade fez um momento de diversão e brincadeiras, já que ela só queria encontrar as madeiras, pois tinha medo de pegá-las e ficava gritando pra ele vir rápido.
- Vem rápido que aqui tem madeira!
- Você só acha madeira molhada! A madeira tem que estar seca para queimar.
Eles juntaram as madeiras secas, acenderam a lareira, deitaram de bruços olhando o fogo e ficaram fuçando e brincando nas labaredas com uma vara de bambu.
O menino fuçava nas brasas e resolveu contar uma história para a Fadinha que olhou para ele com um olhar curioso e tímido.
Vou contar a história de uma onça que vive caminhando nas matas desse pântano. Foi nesse dia que ela me atacou. Tudo aconteceu assim:



A Onça


Eu cheguei no pântano e vi tudo abandonado, não tinha mais flores, a grande árvore secou e a casa estava tomada pela natureza. Abri a porta e vi que havia nascido uma árvore na cozinha. Olhei para um galho da árvore e vi a coruja pousada nele. Sorri e falei:
- Até que enfim você voltou. Eu também voltei, com as marcas do passado, mas voltei. Sabe coruja! Eu vou te contar o que aconteceu aqui.
Foi assim: A tarde estava linda e eu fui cuidar das flores, elas eram tão lindas, coloridas, perfumadas, carinhosas e tinham o cheiro do amor. Eu ficava horas ali do lado delas dando amor, regando e feliz com a beleza delas.
A noite estava chegando e levando a luz embora, uma luz tão carinhosa e quentinha, tanto que eu queria ficar um pouco sentado nela sentindo aquela luz no rosto. A grande árvore já estava quase sem flores, não via mais o ninho do beija flor. Eu acho que ele tinha ido embora, igual você coruja. Pensei: Assim eu vou acabar sozinho e sem ninguém do meu lado para conversar.
Todo aquele cenário maravilhoso me deu vontade de correr e fui correr. corri, corri e não parava de correr.
Enquanto eu corria entre as flores, sentia um olhar felino me perseguindo. Corri para o pomar e o olhar me seguia, passei no meio dos pés de frutas, pelo pé de Juá e entrei no bosque, saindo atrás da cachoeira e sentindo que alguma coisa iria me pegar. Alguma coisa me dizia que ela estava preparando o seu bote.
Desci pelas pedras, entrei na casa correndo e fechei a porta com medo do que estava lá fora. As horas passaram, escureceu e a noite trouxe a solidão ao pântano. Eu permaneci num silencio total, até ouvir um barulho na varanda que atraiu a minha atenção. Pensei que era você coruja, que tinha voltado para mim e sai para vê-la.
Quando cheguei à varanda e olhei para cima, fui atacado por uma onça com um golpe certeiro, não consegui reagir, não tive chance, apenas caí no chão da varanda tremendo e com medo dela que não teve piedade, veio e cravou seus dentes no meu peito, a dor foi profunda, doeu na alma. Ela me arrastava levando a minha mão numa linha sinuosa, como se quisesse escrever alguma coisa. Fiquei com medo dela machucar a minha mão e eu não conseguir mais escrever.
 Ela me arrastava para o escuro rasgando a minha pele com a suas garras. Pensei que ela ia me devorar, mas não, ela me largou no escuro e foi embora. Eu me arrastei até a casa sangrando muito e desorientado, fechei a porta, fiquei ali me recuperando do susto e fui embora.
Agora estou de volta para ver como está o pântano e encontro você coruja. Que bom! Fiquei feliz.
Sabe coruja! - Eu pensei que ela tinha apenas deixado cicatrizes, mas não, percebi que ela devorou parte do meu coração, agora não sou mais o mesmo, não paro de pensar nela.
Vem Coruja! Senta do meu lado que eu quero ver o pântano da varanda, pois ele é lindo de qualquer forma....


Zip...Zip...Zip...ZzipperR.


O menino abre a camisa e vira para mostrar a cicatriz que a onça fez em seu peito. Eram marcas de dente profundos no peito, mas percebeu que a Fadinha de cabelos dourados estava dormindo deitada na beira da lareira quentinha.
Ele levantou devagar para não acordá-la e voltou para o lago no escuro para mergulhar e achar a varinha mágica que ela perdeu no fundo do lago.
Num golpe de sorte no escuro ele mergulha e encontra a varinha mágica para ela. Trás de volta e coloca bem ao lado dela, bem próximo aos seus olhos.
Ela acorda, se surpreende vendo a varinha mágica ao seu lado e fala:
- Você conseguiu encontrá-la pra mim!
- Encontrei e trouxe seus poderes de volta. Agora você tem novamente o poder de decidir o que quer fazer, basta um Plim e você pode voltar para as estrelas, enquanto eu continuarei sempre correndo nesse pântano lindo.
Agora vou para a grande pedra do lago brincar de balançar no cipó e mergulhar no lago!


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