O menino percebeu que a fadinha estava acordando bem preguiçosa e
manhosa, quase não querendo falar.
Ele chegou pertinho dela, não resistiu e pegou nos seus longos cabelos
dourados falando:
- Eu vou subir na grande pedra da
cachoeira e brincar de balançar no cipó! Fiz um chá quentinho pra você tomar.
Te espero lá!
A Fadinha olhava pela janela da cabana e via o menino brincando no cipó
e gritando bem alto:
- Vem Fadinha!
Ela ouvia, sorria e seus olhos brilhavam. Largou tudo e saiu correndo
rumo à cachoeira. Ela corria e seus cabelos dourados voavam balançando junto
com seu vestidinho de fada.
O menino balançava no cipó e gritava:
- Corre Fadinha!
Ela chegou cansada e sentou na grande pedra com as pernas para o lago,
enquanto o menino balançava no cipó gritando:
- Que lugar lindo! Obaaaaaaaaaa
Ele desceu do cipó e sentou na pedra bem ao lado dela. Ela olhava para
ele com a cabeça baixada para um lado, depois continuou olhando com a cabeça
baixada para o outro lado. Olhava com o coração encantado batendo acelerado.
Ela deitou com a cabeça apoiada nas pernas dele e começou a conversar
brincando com a varinha mágica. Ela falava fazendo charminho, falava fazendo
caretas, falava arregalando os olhos, falava querendo a atenção e o carinho
dele assim:
- Lembra-se daquelas pedras em
forma de coração que tem no fundo do lago, aquelas que brilharam quando a
varinha mágica caiu da minha mão. Eu queria que você mergulhasse no lago e
pegasse uma para mim! Falou e continuou brincando com a varinha. - Eu vou pegar
uma daquelas pedras para você.
Levantou com cuidado a cabeça dela. Acomodou apoiando-a na pedra.
Levantou e mergulhou no lago da cachoeira.
Pluuuuufffthhhh! Glooooooolololoooooooo! Sumiu no fundo da lagoa. A
Fadinha rapidamente deitou-se de bruços sobre a grande pedra para ver se ele
conseguia mesmo trazer a pedra para ela.
Ele estava demorando demais para subir e ela ficou preocupada já se
preparando para saltar quando finalmente ele apareceu na tona. Ela logo gritou:
- Pegou a pedra!
- Ainda não! Vou mergulhar de novo.
Ela ficou muito feliz com a atitude do menino, tão feliz que quase pulou
na água também, mas resolveu esperar pra ver se ele iria conseguir.
– Achou a pedra!
- Achei! Agora vou buscá-la para
você.
Ele mergulhou novamente e os olhos dela brilharam quase não acreditando,
mas ele estava demorando demais para subir.
No fundo do lago o menino pegou as duas pedras em forma de coração na
mão e elas começaram a brilhar novamente. Uma era rosa e a outra azul. Ele
pegou a rosa para ela e jogou a azul novamente no fundo do lago, uma vez que o
coração dele pertence ao pântano e ele nunca vai sair de lá.
A fadinha já estava aflita com a demora do menino de subir quando ele
apareceu com a pedra na mão. Ao vê-lo surgir do fundo do lago, a Fadinha ficou
tão alegre, que não sabia se ria ou se chorava falando:
- Por que você não subiu para
respirar? Você demorou demais lá no fundo do lago!
O menino saiu da água, subiu na grande pedra e entregou a pedra rosa em
forma de coração na mão da Fadinha.
Com o corpo tremendo de frio por causa das águas geladas do lago, o
menino deitou na pedra quente do sol e falou:
- Vou dormir um pouco! Estou
muito cansado.
A Fadinha não sabia como agradecer. Pensou! Pensou! Pensou e resolveu
dar um beijo de agradecimento. Ela se aproximou dele que estava deitado, com o
rosto sobre o dele, com os cabelos dourados caindo sobre o rosto dele. Olhou
nos olhos dele com um olhar de apaixonada, sorriu e deu um beijo nele. Ele
olhou para ela surpreso pelo beijo e ela beijou de novo. O menino dormiu e a
Fadinha ficou ao lado dele apreciando a beleza da pedra rosa em forma de
coração.
O menino dormiu e o velho do sonho apareceu novamente. O velho entrou no
sonho do menino e sentou ao seu lado. Olhou as águas da cachoeira caindo com
força soltando uma nuvem de água fresquinha e perguntou para o menino:
- Você não vai pegar o seu foguete de papelão que está preso nos galhos
da árvore? O velho fez uma pausa e fez outra pergunta:
- Você acha que ela continuará
com você brincando nesse pântano ou acha que ela vai embora?
O menino fez uma cara de dúvida sem saber o que responder. Então o velho
colocou a mão direita com dois gravetos na mão e falou:
- Escolhe um graveto! Se você
tirar o maior ela continua no pântano, se tirar o menor com certeza ela vai
embora e te deixará sozinho novamente.
O menino ia escolher o graveto quando a Fadinha o chacoalhou falando:
- Acorda! Acorda! Você está
delirando! Parece que está conversando com alguém no sonho. Toda vez que te
acordo você está com dois gravetos na mão!
O menino olhou e estava com dois gravetos do mesmo tamanho na mão. Ele
olhou para a Fadinha e percebeu que estava apaixonado por ela e pensava: Isso
não pode estar acontecendo. E agora? E escutou a fadinha falar:
- Feche os olhos e acredite que
tudo que você viu, sentiu e ouviu é um sonho seu que só eu sei. Vou transformar
esse pântano em um palácio com jardim de flores ao lado da cachoeira com água
caindo e fluindo ao redor delas. Depois nós vamos embora e deixamos tudo para
as primeiras pessoas que chegarem aqui.
Ela já ia pegar a varinha mágica para fazer Plim! Plim! Plim! Quando o
menino segurou a mão dela e falou: - Não! Não posso ir embora! O meu coração
está preso no fundo do lago e eu só sei viver no sonho.
– Eu não vou embora, não posso
deixar você vivendo sozinho aqui. Tenho que aprender a viver com você aqui.
Aquele mundo era visto diferente por cada um deles, tanto que ele falava
e ela respondia:
- Olha a natureza!
- Só tem mato!
- A cachoeira linda!
- Apenas uma cachoeira! Mais nada!
Mas com você aqui ela se transforma em tudo que quero.
Ela olhou para ele com um olhar de despedida. Ele olhou para ela com um
olhar triste e a viu fazer: Plim! Plim! Plim! E correu ao encontro dele. A
noite chegou e eles sentaram na varanda da cabana. O menino apontou para as
estrelas e falou:
- Olhe para as estrelas Fadinha! É
lá que moram as fadas e foi lá que te conheci. São as fadas que acendem as
estrelas toda noite com suas varinhas mágicas e aquele dia você estava
brincando nas estrelas.
O menino lembrou-se do que o velho do sonho falou. Segurou o rostinho da
fadinha, olhou nos olhos dela e falou:
- Amanhã vamos pegar o foguete de papelão que está preso no galho da
árvore seca cheio de urubus.
Ela sorriu feliz, inclinou a cabeça na perna dele e concordou. - Vamos!
E dormiu.

Nenhum comentário:
Postar um comentário